26 de jun. de 2011

A depressão é a vivência da angústia, da sensação de falta, da pressão de uma culpa,  da vontade de desistir de tudo inclusive da vida...é uma dor profunda que não se pode mensurar. Estes sintomas somados a mais uma série de fatores nos fazem compreender que a pessoa está com depressão.
A Depressão é intrusa. Causa incômodos e múltiplos transtornos. Ela se instala aos poucos, gradativamente e sem que seja percebida claramente torna-se uma figura predominante e forte a ponto de mandar nas rotinas da pessoa depressiva, ou seja, determina a forma como a pessoa acometida por este mal vê a vida e, conseqüentemente, o seu comportamento.
A pessoa depressiva não percebe seus valores e importância. Cada vez mais, excluir-se da própria vida e das relações interpessoais. Quando começa a superar a doença, retoma os conceitos de seus recursos fundamentais. Começa contribuir na qualidade de sua própria vida e na qualidade de vida dos outros ao seu redor e pouco a pouco percebe que faz diferença e tem a sua importância na vida das outras pessoas.
Quando mencionamos um recurso de melhora do depressivo, citamos o Amor, porque o estilo de vida de quem vive a depressão é marcado significativamente pela falta de amor. Eu diria é o abandono de si próprio e de suas capacidades de amar e ser amado. A ausência de amor constitui uma vida insípida e sem significado, por isso fala-se muito no resgate do sentido da própria existência. Se todos nós temos uma importância do porque existir, isso significa que ocupamos um lugar no mundo, na sociedade e também na vida de outras pessoas.A teoria da Inteligência Emocional nos relata que quanto mais opções de escolha e capacidade de suportar frustrações uma pessoa tem, mais ela é feliz. A pessoa com depressão se vê sem opções, sente-se absolutamente magoada pelas frustrações impingidas pela vida e por tais motivos tudo se torna infelicidade.
A depressão quando vista como um agente de transformação e de novas possibilidades constitui um conceito de intromissão, de perturbação e desequilíbrio de sua vida.
A vida é a possibilidade de nos desenvolver e evoluir enquanto seres humanos. Mas para isto existem os caminhos da dor e do amor. Se a Depressão é a profunda sensação da falta de amor significa que este é o caminho da dor para o desenvolvimento da alma enquanto ser humano.
Acredito que a depressão não é simplesmente para ser sofrida, mas vista como uma oportunidade de evolução e de revisão suas crenças e valores.
Portanto, para livrar-nos da depressão e de todas as situações insatisfatórias que a vida nos propõe é necessário querer de coração, querer com todo o seu ser, querer com todo o amor que está no seu íntimo. Acreditar que é possível, mesmo que a força lhe falte e você se sinta em um túnel escuro; busque a direção correta. Siga o seu coração, não deixe que os conceitos alheios destruam sua vida. O que importa é o seu querer, lutar com fé e a certeza de que existe uma saída.

“Ninguém é digno das grandes vitórias se não aprendeu a agradecer as dramáticas derrotas.”
A. Cury, em O Mestre dos Mestres


20 de jun. de 2011

O Preconceito e a Depressão

Todos nós devemos enfrentar e lidar com as decepções em diferentes momentos de nossas vidas. Desencorajar-se é algo profundo e em maioria das situações ocorre com a pessoas que sofrem de depressão.
Quando falamos em preconceito relacionado a depressão, podemos citar múltiplas causas polêmicas. Há pessoas que acreditam que esta doença ocorre por um mal afetivo, sentimental, desilusão amorosa etc. Sabe-se que as causas da depressão são inúmeras, mas de fato está intimamente associada ao desequilíbrio de substâncias químicas no cérebro.
O preconceito ocorre por parte da sociedade como também pode ser alvo do próprio depressivo. Na maioria das situações, esses conflitos ocorrem devido a não aceitação dos transtornos, das alterações mentais, físicas e psíquicas. Buscar ajuda torna-se muito difícil.
Para muitos, sofrer de depressão é um confronto aos seus princípios. A falta de diálogo e entendimento sobre o assunto dificulta a compreensão da doença e sugere a idéia de poder minar sentimentos, relacionamentos e até mesmo a vontade de viver. É preciso entender que uma pessoa depressiva possui suas limitações e dificuldades. Tantos conflitos conduzem à necessidade de auxílio como o tratamento e o uso de medicamentos para conviver e lidar com as mudanças e conflitos que afetam a vida depressiva. Para isso, se faz necessário encontrar um médico psiquiatra.
Atualmente na maioria dos casos, o tratamento medicamentoso associa-se a psicoterapia, atividades físicas e demais métodos que auxiliam a liberação da sensação de prazer e bem estar para o organismo. Como a depressão é uma doença multifatorial, existe a necessidade da associação de tratamentos múltiplos aos antidepressivos e demais medicamentos.
Retomando o tema inicial, quando me vi no extremo da depressão, sofri preconceito no meu convívio social, no meu trabalho, na minha família e comigo mesma. Para a minha família a depressão ainda era oculta, desconhecida e para mim...inaceitável! Como essa doença poderia invadir e dominar minha vida? Eu tão jovem, recém graduada, com tantas ambições, anseios, expectativas, uma mulher independente sobrevivendo com os resultados de meus esforços. Sempre fui exemplo para minha família.
A depressão não aceita intensificou-se, comprometendo minha mente, meu organismo...então os males físicos tornaram-se conseqüência. No meu caso, fiquei muito doente. Sentia-me fraca, deixei de me alimentar adequadamente, perdi o prazer de viver. Tornei-me uma pessoa anêmica, meus leucócitos e minhas plaquetas reduziram significantemente, comecei apresentar sangramentos nasal com gande freqüência e até hoje vou ao hematologista todos os meses. Todos esses sintomas físicos faziam com que eu me sentisse mal e somatizado a depressão, comecei a faltar com freqüência no trabalho. Perdi completamente o prazer pelas minhas atividades. Recordo que algumas pessoas comentavam sobre minhas faltas. Era como se eu fosse uma pessoa descompromissada, diversos comentários surgiram ao meu respeito. As pessoas associavam as minhas dificuldades com preguiça e má vontade. Isso me indignava; hoje não dou a miníma importância, pois foi sofrimento demais, o qual em palavras não posso descrever.
É difícil se descobrir, aceitar e realizar o tratamento. Lutei contra por muito tempo. Me sentia sem apoio para buscar ajuda. Eu queria transparecer uma mulher forte, corajosa e transbordante de felicidade. Depressão era coisa de "fracos". Tudo isto contribuiu para que eu não me cuidasse; tinha medo de fazer análise e preder a inspiração. Mas as conseqüências foram sérias. 
Certa vez, ouvi uma pessoa mencionar que eu não tinha depressão e sim falta de amor. Nem preciso dizer que tamanha deselegância não mereceu resposta. Acredito que para falarmos de algo, seja o que for, devemos ter o minímo de entendimento e sabedoria com relação ao assunto. Talvez a pessoa não o tivesse, o que dificultou, assim como para muitos, entender o meu sofrimento e o conceito de depressão.
Quanto ao amor...eu tenho de sobra! Sou uma pessoa extremamente amorosa, tenho uma família que mesmo em meio às dificuldades me ama, alguns amigos verdadeiros que se fizeram presente na pior fase, pessoas que me animam quando penso em desistir. Realizo o meu tratamento corretamente, me aceitei.  Minha psicológa é maravilhosa e o meu psiquiatra além de ético e disponível, me auxilia e me trata com muita dedicação e respeito. Tenho o privilégio do "amor incondicional" de Deus que por me amar tanto, mesmo eu tentando o suícidio, me concedeu uma oportunidade nova de recomeçar e hoje estar dividindo minhas vivências com vocês. Creio que tudo isto são diferentes formas de amor!
Minhas medicações me tornam mais confiante e forte para enfrentar meus problemas. Não sou uma pessoa sedada. Vivo um dia por vez e mesmo que eu esteja mal, triste e solitária, acredito que me tratando, o pesadelo vai passar. Luto diariamente contra a depressão e busco minha evolução e a tão sonhada felicidade. Tenho meus momentos difíceis, diria inúmeros. Há dias que me isolo no quarto, há outros que não sinto vontade de fazer nada, apenas chorar. Mas por amor a mim e aos que me amam, sigo em frente e estou certa de que vou me curar.
Você depressivo (a) não desista jamais! As adversidades serão muitas, mas elas revelarão o que existe dentro de vocês. Cada vez que Deus nos dá favor, ele demonstra seu amor por nós.
A sociedade nos propõe que ganhar é tudo e que sucesso significa viver sem derrotas, mas elas existem e juntamente com as dificuldades compõem a vida. Ser depressivo não significa estar no fim do túnel. Hoje sei que o fracasso é parte verdadeira do sucesso. Por isso vou vencer! Jamais tenha vergonha de ser quem és. Tenha humildade suficiente para assumir a depressão e se tratar, busque auxílio. Isso é se amar!
Insira em seus dias os princípios que irão mudar sua vida. É preciso resgatar a capacidade de amor próprio e de lutar contra a depressão e o preconceito pois cada qual sabe a dimensão da sua dor. O preconceito conduz as pessoas ao abismo e a eterna ignorância.



"...Mesmo que a esperança se vá, ensina-me amar.
Mesmo nos momento sem fé, ensina-me amar..."


18 de jun. de 2011

O que é Preconceito?

O tema deste blog é depressão e preconceito. Quando me preparei para escrever sobre o assunto, pensei em uma maneira de abordar algo sobre a depressão tais como suas causas, conseqüências, tratamento e os tipos de preconceitos que os depressivos encontram diariamente. Mas para iniciarmos um tema polêmico, o preconceito, vamos definir de forma rápida o seu significado.

Preconceito (prefixo pré- e conceito) é um julgamento preconcebido manifestado geralmente na forma de uma atitude de discriminação perante pessoas, lugares, tradições, sexualidades e doenças considerados diferentes ou "estranhos". Costuma indicar desconhecimento pejorativo de alguém, ou de um grupo social, ao que lhe é diferente. De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada "estereótipo". Então podemos dizer que o preconceito é um idéia pré-concebida que aliena tudo aquilo que “foge dos padrões” da sociedade; trata-se de uma violação dos direitos humanos.
O preconceito é desenvolvido a partir da busca por parte das pessoas preconceituosas que tentam localizar nas vítimas o que lhes “faltam” para serem semelhantes à grande maioria.   
O preconceito nada mais é do que uma discriminação que leva  à marginalização e à violência, uma vez que é baseado unicamente nas aparências.

14 de jun. de 2011

"A Ousadia nos leva a caminhos nunca imaginados, a coragem nos faz avançar e a humildade nos permite pedir ajuda quando precisamos."
Lucy Maíra Arantes


 

11 de jun. de 2011


A Psicologia, a Psicanálise e a Psiquiatria são três saberes como vimos anteriormente. O termo "psi" muitas vezes confude o tipo de profissional que nos referimos. No intuito de simplificar vou esclarecer alguns conceitos:

Psicologia: é a ciência que estuda os aspectos emocionais, cognitivos e comportamentais do ser humano. Através de vários processos e técnicas a qual essa ciência envolve escolhe-se o método psicoterapêutico considerado o melhor para cada indivíduo em particular.

Psicanálise: é a teoria criada por S. Freud com a finalidade de explicar o funcionamento psíquico do homem, partindo do inconsciente. A psicanálise busca o significado do comportamento em si e a trama imaginária oculta neste comportamento. A psicanálise não é oferecida em curso universitário e sim como especialização. Profissionais que tenha nível superior podem fazer essa opção.

Psiquiatria: é uma especialidade da Medicina, pré-existente à Psicologia e a Psicanálise. O profissional dessa área necessariamente é um médico que está habilitado a cuidar de doenças e transtornos mentais. É o psiquiatra quem determina diagnósticos, condutas de tratamentos e medicamentos a serem prescritos.

10 de jun. de 2011

Psicoterapia, Psicologia e Psicanálise.

Na postagem anterior abordei um assunto polêmico, complexo e ao mesmo tempo agressivo que é o suicídio e a ideação suicida. A intenção é inferir uma realidade além da realidade aparente, produzindo uma síntese de como esta realidade se apresenta e demonstrar que o número de suicidas é considerado alto em relação a outras mortes. Hoje vou descrever a importância e a diferença entre psicoterapia e psicanálise. 
A psicoterapia e a psicanálise são tratamentos essenciais especialmente nas fases agudas das doenças mentais e demais transtornos de fundo psicopatológico.
A Psicoterapia é um método de tratamento onde usa-se os conhecimentos da psicologia e da psicopatologia na clínica psicológica, sendo também chamada de psicologia clínica. Suas técnicas auxiliam em com o lidar com as dificuldades existências e gerenciar o sofrimento humano. Nos casos de transtornos psicopatológicos, distúrbios psicossomáticos, sofrimentos, conflitos interpessoais etc. O psicólogo atua fundamentado em técnicos e conceitos intelectuais no auxílio do crescimento e amadurecimento pessoal, o que constrói uma intimidade do indivíduo com seu eu interior transformando conceitos, preconceitos e padrões estereotipados de funcionamento. O mais importante é que a psicoterapia consegue introduzir na pessoa a idéia de se conhecer, compreender, mudar e gerenciar seus relacionamentos interpessoais. Poderíamos dizer que é um conjunto de técnicas que educam para a vida.
O psicoterapêuta possui uma visão psíquica, orgânica, social e espiritual do ser humano, o que favorece no tratamento de doenças orgânicas de dimensão psicológica e emocional. A psicoterapia pode ser realizada em grupo, individual, em família, casal e institucional. A eficácia da psicoterapia é comprovada e muito eficiente. Devido aos novos estudos e conhecimentos da neurociência a evolução nos casos tratados tende a melhorar sempre mais, o que favorecerá a cura e o tratamento das dificuldades da mente humana.
As teorias psicológicas auxíliam nas reflexões e fazem compreender o jeito de ser de cada indivíduo, acompanhado da idéia de se conhecer melhor e até mesmo mudar o que for necessário para favorecer o bem estar, a saúde mental e os relacionamentos interpessoais.
A psicanálise é o campo clínico de investigação, teoricamente a psiquê humana independente da psicologia que se propõe à compreensão e análise do homem enquanto sujeito do inconsciente e abrange três áreas: método de investigação da mente e seu funcionamento, sistema teórico sobre a vivência e o comportamento humano e um método de tratamento psicoterapêutico.
A psicoterapia é uma teoria da personalidade e um procedimento de psicanálise. Assim, influenciou outras correntes de pensamento e disciplinas das diversas ciências humanas gerando uma base teórica para uma forma de compreensão da ética, da moral e da cultura humana. Importante é observar que em linguagem comum, o termo psicanálise é muitas vezes usado como sinônimo de psicoterapia ou mesmo de psicologia. Em linguagem mais própria, no entanto, psicologia refere-se à ciência que estuda o comportamento e os processos mentais e a  psicoterapia ao uso clínico do conhecimento obtido por ela ou seja, ao trabalho terapêutico baseado no corpo teórico da psicologia como um todo. A  psicanálise refere-se à forma de psicoterapia baseada nas teorias oriundas do trabalho de Sigmund Freud. Psicanálise é um termo mais específico sendo uma entre muitas outras formas de psicoterapia. De modo particular é o tratamento do desequilíbrio mental e uma teoria psicológica que se ocupa dos processos mentais inconscientes. Estuda as teorias da estrutura e funcionamento da mente humana e um método de análise dos motivos do comportamento. É uma doutrina filosófica e um método terapêutico de doenças de natureza psicológica supostamente sem motivação orgânica.
O Psicanalista é o profissional que aplica os princípios, técnicas e os métodos da psicanálise no tratamento ou prevenção de distúrbios psíquicos  do inconsciente, tais como: perturbações sexuais e de origem somática, estados neuróticos, determinadas psicoses de ordem funcional não provocadas por motivos orgânicos, complexos, traumas, ansiedades, fobias, transtornos de personalidade, angústia, ansiedade, depressão, compulsões etc.

9 de jun. de 2011

Ideação Suicida e Suicídio

A morte através do suicídio é um sério problema de saúde pública e mental. Na maioria dos países, o suicídio se encontra entre as dez primeiras causas de morte para indivíduos de todas as idades. 
A ideação suicida caracetiza-se por idéias fixas ou conjuntos de idéias relacionados a fatores emocionais, aliados à intensidade de depressão, desesperança moderada e grave, repercussões sociais, familiares e econômicas. É importante destacarmos que o suicídio é uma das dimensões do comportamento suicida.
Este comportamento inclui pensamentos de autodestruição, ameaças, gestos, tentativas de suicídio até o desfecho fatal que é o suicídio propriamente dito ou consumado.
O grau de intenção letal e de conhecimento do verdadeiro motivo desse ato constatam que o comportamento suicida abrange uma gama de cognições e comportamentos de intensidades variadas e fatores diversos e de complexa natureza. A presença da ideação suicida e de uma história prévia de tentativa de suicídio constituem importantes fatores de predição quando se busca avaliar o risco de suicídio, podendo caracterizar um primeiro passo para a consolidação do ato destrutivo.
O suicídio é uma palavra originada do latim sui (próprio) e caedere (matar). Caracteriza-se pelo ato intencional de matar a si mesmo. Suas causa mais comuns são transtornos mentais que incluem depressão, transtorno afetivo bipolar (TAB), esquizofrenia, abuso de drogas e alcoolismo. Em outras situações, podemos descrever dificuldades financeiras e/ou emocionais.
"Segundo estudos de autópsia psicológica, 60% dos suicídios trancorrem em indivíduos com sintomas depressivos significantes."
Componentes genéticos na etiologia do comportamento suicida parece ser considerável, mas a carga genética não é específica ao suicídio propriamente dito e nem à psicopatologia. De fato, múltiplas evidências sugerem comportamentos relacionados ao suicídio. Deve-se caracterizar os próprios fatores genéticos, como outros fatores cujo papel é importante na predisposição a este evento tão trágico.